sábado, 6 de dezembro de 2008

O Pintor e o Quadro (6) - Lázaro Lozano


O Pintor

Bonifácio Lázaro Lozano nasce na Nazaré em Fevereiro de 1906, no seio de uma família de empresários do ramo conserveiro. Contudo, logo no ano seguinte, os pais mudam-se para Setúbal. Nessa cidade vive toda a sua infância e juventude e terá sido aí, muito provavelmente, que adquiriu o gosto e a sensibilidade pelos temas marinhos.

Apesar de ter saído da Nazaré com tenra idade, Lázaro Lozano sentiu toda a sua vida uma irresistível atracção pela vila piscatória e pelas suas gentes. Grande parte das suas obras, que hoje integram importantes colecções privadas e públicas por todo o mundo, retractam a sua terra natal, ou melhor, as suas pessoas: o pescador, a peixeira, as viúvas que choram os seus náufragos.

As primeiras lições de arte surgem aos 14 anos, com o professor da Escola Técnica de Artes e Ofícios, José Nolasco.

O ano de 1926 é decisivo para a sua formação como artista. Instala-se em Lisboa e ingressa na Escola de Belas Artes, sob a direcção de Veloso Salgado. Logo no ano seguinte alcança o primeiro prémio da sua carreira artística, o “Prémio Miguel Lupi”.

Em 1929, Bonifácio Lázaro Lozano obtém o título de professor na Escola de Belas Artes de Lisboa. No mesmo ano, é galardoado com a medalha de bronze na XXVI Exposição da Sociedade Nacional de Belas Artes (SNBA), com uma pintura a óleo. Inicia a adopção do expressionismo como solução estilística para as suas representações.

O início da década de 30 encontra o pintor a instalar-se na capital espanhola, onde obtém o diploma da Escola de Belas Artes de Madrid.

Em 1932, Bonifácio Lázaro Lozano casa com Maria Alice, a sua modelo preferida. No ano seguinte, nasce a única filha do artista, Ana Maria.

Em 1934, verifica-se um momento importante na sua carreira. A Real Academia de Belas Artes de S. Francisco, em Madrid, atribui-lhe o Prémio Conde de Cartagena e, com ele, uma bolsa de financiamento para o aprofundamento dos seus estudos. Contrariando todas as correntes bolseiras da época, que destacavam as grandes cidades europeias, Lázaro Lozano escolhe como destino a sua terra natal, a Nazaré.

Quando regressa Madrid, os trabalhos resultantes da sua estada na Nazaré, no âmbito da bolsa de estudo, merecem atenção. Nos anos seguintes, realiza várias exposições em Madrid, Tânger e em Lisboa, onde conquista o segundo lugar no prémio da SNBA.

Durante a primeira metade da década de 40, realiza várias exposições e recebe prémios. Entretanto, recebe nova bolsa para ampliar estudos em Portugal.

De 1942 a 1945 realiza exposições individuais e colectivas em cidades como Lisboa, Madrid, Porto, Barcelona e Caldas da Rainha, ou países como Buenos Aires e Brasil.

Em 1945, participa nas duas primeiras Exposições Gerais de Artes Plásticas (GAP) da SNBA, em Lisboa. Neste mesmo ano, dá-se o falecimento de seu pai.

O ano de 1946 caracteriza-se por novas influências dos pintores renascentista italianos que recebe, através das viagens realizadas com Luciano dos Santos. Muda-se então para Campo de Ourique e inicia um contacto com as paisagens da sua infância. O seu trabalho adopta um carácter mais escultórico.

Entre 1947 e 1953, participa nas várias Exposições de Artes Plásticas da SNBA e realiza duas exposições no Porto, sendo uma delas em conjunto com a filha, Ana Lázaro. Recebe ainda uma medalha de ouro e o 2º Prémio Silva Porto nas exposições da SNBA.

O ano de 1953 traz mudanças estilísticas na sua obra. Inicia uma temática mariana como reflexo da vida e da faina do mar, perdendo o fatalismo incutido inicialmente nas obras dos anos 30, pelo que os seus trabalhos se tornam mais suaves e mais expressionistas. As suas figuras apresentam-se em tamanho mais reduzido. Neste ano, ultrapassa os seus locais frequentes de exposição para se apresentar na Galeria André Weil, em Paris.

Em 1955 muda-se, a pedido da família, para Madrid, continuando no entanto a expor nas cidades portuguesas, nomeadamente nos arredores da capital.

Expõe numa colectiva do SNI e participa noutra realizada na SNBA, em 1956. Neste ano realiza também exposições em São Lourenço (Maputo), Universidade de Leeds (Inglaterra) e no Salão de Cultura-Arte (Berlim), entre outras que realiza nas habituais cidades ibéricas.

Em 1958, ganha uma medalha de honra com a pintura a óleo “Nazaré”, exposta no Salão de Primavera da SNBA, em Lisboa. No ano seguinte expõe na SNBA uma retrospectiva do seu trabalho intitulada “25 anos de pintura em 25 retratos da minha mulher”.

Na década de 60, inicia as suas viagens de Verão pela Europa e Ásia, que só findam em 1979.

Em 1971, inicia composições de instrumentos musicais, tema que desenvolverá até cerca de 1980, com sucesso.

É distinguido, em 1975, com Medalha de Ouro pela sua participação na exposição colectiva na Galeria Leonardo DaVinci, em Roma.

Entre 83/84, Bonifácio Lázaro Lozano compra um apartamento em Oeiras com a finalidade de aí passar algumas temporadas. Nos últimos dez anos de vida, expõe em várias cidades ibéricas: Sevilha, Badajoz, Lisboa, Porto, Estoril, Sintra, Setúbal e Oeiras, recebendo da penúltima a Medalha de Honra da Cidade, e da última a Medalha de Mérito pela Câmara Municipal.

O pintor faleceu a 24 de Abril de 1999, em Madrid. (Fonte: Oeste Online)


O Quadro


O sonho (Lázaro Lozano)

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Os políticos que temos em Portugal


Ainda a luta dos Professores e a Ministra da Educação


"Uma vez iniciada este ano uma avaliação séria dos professores, estarei totalmente aberta à discussão de alterações a este modelo e até à sua substituição, mas em anos seguintes, não neste.", disse Maria de Lurdes Rodrigues, hoje no Parlamento.

Esta senhora está completamente de cabeça perdida.

Já alterou 3 vezes o modelo de avaliação dos professores.
Já foi confrontada com duas manifestações (as maiores de sempre de uma só classe profissional em Portugal).
Já esteve perante a maior greve de sempre dos professores (94% de adesão).

Já todos nós percebemos que o modelo não presta.
Já todos nós percebemos que os professores não vão parar (e com razão).

Mesmo assim a Ministra da Educação mostra a sua teimosia perante o Parlamento.
Porque, admitir que este modelo pode vir a ser substituído por outro, é aceitar implicitamente que pode haver melhor.
Mas, no entender desta senhora, este tem que ser aplicado, mesmo que seja uma droga.
Irredutível teimosia e tolice rematada.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Camarate - História de um grande amor


Na noite de 4 de Dezembro de 1980, o primeiro-ministro de Portugal, Francisco Sá Carneiro, Snu Abecassis, o então Ministro da Defesa, Adelino Amaro da Costa e a mulher, Maria Manuel Amaro da Costa, António Patrício Gouveia e os pilotos, morreram num desastre de avião, durante a campanha para as eleições presidenciais desse ano.
O avião tinha acabado de levantar voo quando se despenhou em chamas numa rua do bairro de Camarate, às portas de Lisboa.
Vinte e oito anos depois da queda do Cessna e oito comissões parlamentares de inquérito, as dúvidas e as suspeitas sobre as causas do desastre continuam a não estar cabalmente esclarecidas.

HISTÓRIA DE UM GRANDE AMOR

Quem era a ‘princesa da Dinamarca’ que conquistou Sá Carneiro? Após a recusa da D. Quixote – editora que Snu fundou – em publicar a sua biografia, a Quetzal avançou. E deixa pistas sobre a mulher que desafiou o País.

Dinamarca, 1940. A 7 de Outubro, a segunda filha do jornalista Erik Seidenfaden e de Jytte Merete (mais tarde Bonnier), também ela jornalista, e editora, veio ao mundo e foi baptizada como Ebbe Merete Seidenfaden, em homenagem à avó materna.
Ainda pequena, mudou-se para a Suécia e na adolescência, adoptou o diminutivo de “Snu”.
Aos 16 anos partiu para Inglaterra, onde conheceu Vasco Abecassis. Tornaram-se inseparáveis. Ele seguiu para Harvard e ela rumou até Boston. Aos 18 anos, Snu casou na Suécia com o português.

Lisboa, 1962. Snu e Vasco Abecassis assentam arraiais em Lisboa. “Pela quarta vez, ela chega a um país estrangeiro para aí residir”. Ele é enviado para a guerra (Guiné), mas antes de partir, o casal decide abrir uma editora de livros e designa-a como “Dom Quixote”.

Sozinha em Lisboa, Snu dedica-se de alma e coração à sua editora, publicando livros nem sempre recomendáveis aos olhos atentos do Estado Novo. “Ela era obstinada e persistente. Por isso, ninguém da sua família estranhou quando soube que a Polícia visitava regularmente a editora para apreender livros ou para lhe fazer perguntas”.

Snu e Vasco Abecassis tiveram três filhos, Mikaela, Ricardo e Rebeca – esta última, tal como os avós maternos, é jornalista. O casal separou-se. “Há muito que ela queria sair de casa. O casamento já não existia verdadeiramente (...) ele continuava a não acreditar que as pessoas podiam ser melhores do que a sociedade, enquanto ela continuava a acreditar que o eram, e essa era uma crença vital à sua sobrevivência”.

6 de Janeiro de 1976. Snu e Francisco Sá Carneiro conhecem-se num almoço organizado por Natália Correia, no restaurante lisboeta “A Varanda do Chanceler”. Até então, tinham falado ao telefone algumas vezes mas nunca se haviam cruzado. Foi, na verdade, o primeiro dia do resto das vidas deles.

Aliás, quando Sá Carneiro perguntou, uma vez, à poetisa como era Snu, a resposta foi implacável: “É uma princesa nórdica num esquife de gelo à espera que venha um príncipe encantado dar-lhe o beijo de fogo. E esse príncipe é você. Porque ela é a mulher da sua vida”.

A partir desse almoço, Sá Carneiro e Snu não se largaram mais de vista. Ele passou a visitá-la com frequência na Dom Quixote. Ao final da tarde, bebiam chá e conversavam. Apaixonaram-se perdidamente.

Isabel, mulher de Francisco e mãe dos seus cinco filhos, não lhe quis dar o divórcio. Mais tarde, a “legítima” explicou os porquês desta recusa (em “A Solidão e Poder”, da jornalista Maria João Avillez): “Foi o homem de quem gostei, o pai dos meus filhos. Não foi fácil viver com ele, é um facto. Mas era muito mais difícil viver sem ele”.

No entanto, a verdade é que quando Sá Carneiro se perdeu de amores por Snu, vivia sozinho na Capital, enquanto Isabel residia no Porto com os filhos. “Ele tinha saído de casa há muito tempo, morava sozinho em Lisboa havia anos”.

Alheios às críticas, Snu e Francisco começam a viver juntos. “Ele tornara-se na sua grande aposta. Tornara-se naquilo que ela estava em vias de criar. Ela sabia que ele tinha as qualidades necessárias ao político que colocaria Portugal num lugar seguro entre os Estados modernos da Europa”. Aos olhos da sociedade, e em especial da classe política, esta relação ‘clandestina’ era incómoda.

“Foi ele que se mudou para casa dela e dos filhos (...) Francisco queria que ela o acompanhasse para todo o lado (...)”.

Em 1977 Sá Carneiro afirmou: “Se a situação for considerada incompatível com as minhas funções, escolherei a mulher que amo”. Dois anos depois, o fundador do Partido Social Democrata tornou-se primeiro-ministro de Portugal. “Tê-lo-ia conseguido sozinho ou deveu-o a ela ?”.

Reza a história que em 1980, na recepção oficial ao presidente norte-americano Jimmy Carter, e perante a eventual presença de Snu, Manuela Eanes, então primeira-dama do País, terá dito: “Se ela for, eu não vou”.

‘Ela’ era Snu Abecassis, uma mulher que desafiou as leis do Estado Novo, que se separou do marido (do qual permaneceu amiga) e que ‘ousou’ viver em união de facto com o amor da sua vida.

E assim, contra tudo e contra todos, a mulher que veio do frio e o primeiro-ministro de Portugal protagonizaram um romance intenso durante quase cinco anos. O que começou num almoço a 6 de Janeiro de 1976 terminou, tragicamente, a 4 de Dezembro de 1980, quando o casal perdeu a vida em Camarate. Na noite anterior, Snu ligara à mãe a dizer-lhe: “Vamos num avião de carreira – não é perigoso”.

Se Francisco Sá Carneiro e Ebbe Merete Seidenfaden se tivessem conhecido antes e casado pela igreja ouviriam as palavras “Não separe o homem o que Deus uniu (...) juntos, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, até que a morte os separe”. Não puderam casar, mas no final nada conseguiu separá-los. Nem mesmo a morte.

MEMÓRIAS DA MÃE

“Porque escreve uma mãe sobre a sua filha morta? O que mais pode uma mãe fazer do que escrever sobre a filha que morreu? (...) As minhas linhas sobre a Snu são a minha maneira de a deixar viver mais tempo, e tentar sobreviver ao facto de ela ter morrido tão prematuramente”.
(Jytte Bonnier, Suécia, 1986)

Fontes: Sofia Rato (Correio da Manhã, 07/02/2003), Da Pororoca ao Tejo , Fotos da Internet, Retrato de Snu por Lima de Freitas

Greve Nacional dos Professores


O secretário de Estado Adjunto e da Educação, Jorge Pedreira, garantiu hoje que "a maioria das escolas está aberta", apesar de reconhecer que a paralisação conta com "elevados níveis" de participação. “Apesar dos elevados níveis de adesão, a maioria das escolas está aberta. Algumas com aulas, outras eventualmente sem aulas”, afirmou o responsável, em declarações à TSF. (Fonte: Jornal Público)

Jorge Pedreira mente mais uma vez. As escolas estão abertas porque o governo ordenou que não fechassem a não ser por razões de segurança. Podem estar de portas abertas, mas não têm lá os professores.
É lamentável que este governo funcione à moda salazarenta, iludindo o Zé Povo com a propaganda da mentira.

Christiaan Barnard - Primeiro transplante cardíaco humano foi há 41 anos


Christiaan Barnard Neethling nasceu dia 8 de Novembro de 1922 na cidade de Beaufort West, África do Sul. O pai tinha baixos rendimentos, mas, dada a sua posição social como membro da igreja, pode proporcionar uma boa educação aos seus quatro filhos.

Christiaan frequentou escolas privadas na sua cidade natal e a Faculdade de Medicina na Universidade da Cidade do Cabo, onde se licenciou em 1953. Começou sua carreira como um cirurgião geral no Hospital Groote Schuur na Cidade do Cabo, onde o seu irmão mais velho Marius foi chefe de equipe de transplante.

Em 1955 ganha uma bolsa de estudos para a American University of Minnesota, onde, em 1958, terminou a especialidade em cardiologia.

Em 1962, foi nomeado Chefe do Serviço de Cirurgia Torácica do Hospital Groote Schuur, onde já tinha trabalhado antes.

Transplantes de órgãos já não eram uma novidade na época. O primeiro transplante renal foi feita pelo Dr. Varony em 1936. Em 1953, Hardy realizou o primeiro transplante pulmonar numa paciente com cancro, e em 1954 Murray transplantou com sucesso dois rins e fez, em 1967, um transplante triplo de rim, pâncreas e duodeno. Em 1964, disse Hardy transplantou o coração de um chimpanzé para um homem que morreu após uma hora.

Mas a 3 de Dezembro de 1967, um comunicado de imprensa chocou o mundo: um médico do sul africano havia realizado o primeiro transplante cardíaco de um ser humano. O destinatário era Louis Washkansky, um empresário, um homem optimista e corpulento de cinquenta e seis anos passou por um problema cardíaco irreversível ligado a diabetes. O doador, Denise Darvall, um jovem de vinte e cinco anos, tinha sido atropelado por um carro.

A operação, realizada por uma equipa de vinte cirurgiões sob a direcção de Barnard, durou seis horas. Ao despertar, Washkansky afirmou que se sentia muito melhor com o novo coração.

Médico e paciente foram catapultados para a fama, apesar de dezoito dias mais tarde, ao princípio da manhã de 21 de Dezembro, o doente ter morrido de pneumonia.

Apesar disso, após este marco na história da medicina, começaram a chover honrarias e distinções de todos os matizes para Barnard, tornando-o a personalidade mais popular do momento. Foi lançado para os mídia, foi fotografado com as mais famosas atrizes da época. Inúmeras especulações sobre flirts apareceram na imprensa cor de rosa, sem que ele parecesse muito preocupado com sua imagem a nível mediático mundial: a de um play-boy.

Em 2 de Janeiro de 1968 realizou o segundo transplante. Desta vez, o destinatário foi o Dr. Philip Blaiberg, e a doadora uma mulata, Clive Haupt.

O coração de um negro viveu durante 563 dias no corpo de um branco. Nessa época, em pleno regime do apartheid na África do Sul, estalou a polémica. Mas os pacientes foram ganhando expectativa de vida, graças aos medicamentos imunossupressores.

Em 1970 divorciou-se sua primeira esposa, Louwtjie, de quem teve dois filhos: André, que se suicidou em 1984, devido à separação dos pais (conforme diagnóstico da própria psiquiatra e apreciação dos progenitores), e Deirdre. Nesse mesmo ano casou com uma rica herdeira Barbara ZOELLNER, dezanove anos, filha do multimilionário alemão Frederico ZOELLNER, residente em Joanesburgo e conhecido como o "rei do aço".

Mas os seus feitos na sala de operações iriam terminar, mais cedo ou mais tarde, sempre em fracasso.

Em 1975, quando sua fama começou a diminuir, visitou Espanha para apresentar um livro, e sua nova esposa (que lhe tinha dado dois filhos, Frederico e Christian), com o objectivo de não perder a popularidade na bacia do Mediterrâneo, onde era mais lisonjeado.

Continuou a realizar transplantes cardíacos. Em 1979, porém, recusou-se a participar de uma operação de transplante de cabeça humana por achar a idéia impraticável e "provavelmente imoral." Esta afirmação salvou-lhe a honra.

Em 1981, ano em que ele promoveu seu livro A Máquina do Corpo, já sofria de artrite que se agravou a ponto de o impedir de exercer a sua profissão, sem graves riscos para os pacientes. Ainda na década de oitenta, sua esposa Barbara terminou seu casamento, e depois casou com um empresário português. Barnard tentou reconstruir a sua vida com a modelo Evelyn Entleder, de vinte e quatro anos, o que não resultou. Por fim, encontrou o equilíbrio emocional com uma outra modelo
quarenta e um anos mais nova que ele, Setzkorn Karen, com quem casou em 1983 e de quem teria dois filhos, Armin e Lara, que nasceu quando Barnard contava setenta e quatro anos de idade.

Em 1983, depois de trabalhar num hospital nos Estados Unidos, abandonou definitivamente a prática da cirurgia, mas apesar das dores, do descrédito entre os seus colegas e da perda de popularidade, ainda tentou abrir novos caminhos.

Até então tinha feito cerca de 140 transplantes, incluindo implante de um coração de um babuíno num doente vinte e cinco, que faleceu em poucas horas.

Desde 1987, dedicou-se à investigação médica e chefiou quatro equipas do Instituto Max Planck e da Universidade de Heidelberg, ambas na Alemanha, uma na Universidade de Oklahoma, nos Estados Unidos, e, finalmente, outra na Suíça. Estas equipas faziam estudos que visavam descobrir as causas do envelhecimento do organismo e dos factores biológicos presentes no feto.

Em 1993 publicou sua autobiografia, Second Life, onde além de falar da sua carreira, esclarece de forma pormenorizada as suas ligações com mulheres famosas. Nas suas viagens e nas suas palestras sempre insistiu na necessidade de uma sociedade que reconhecesse o valor da doação de órgãos.

A 2 de Setembro de 2001, no Chipre, faleceu aos setenta e oito anos, vítima de um ataque de asma, não de um ataque cardíaco como a imprensa publicou algumas horas depois da sua morte.