sábado, 3 de janeiro de 2009

O Pintor e o Quadro (7) - Toulouse-Lautrec


O Pintor

Henri-Marie-Raymonde de Toulouse-Lautrec nasceu em uma família aristocrática, recebeu educação artística e foi um menino normal até os 14 anos, quando sofreu um acidente e fez uma fractura do fémur esquerdo. Menos de um ano depois, fracturou o direito. Os traumatismos, aliados a uma doença óssea congénita atrofiaram-lhe os membros inferiores e ficou praticamente anão, com dificuldades locomotoras.

Prostitutas, cabarés e cervejarias estão inevitavelmente associados ao nome de Henri de Toulouse-Lautrec, mas aquele que seria conhecido por retratar a vida boémia e sua degradação foi, no início de sua vida, um nobre.

Em 1872, em Paris, ingressou no Liceu Fontanes e, em 1881, depois de terminar o curso, decidiu tornar-se pintor. Um dos seus primeiros mestres, Léon-Joseph-Florentin Bonnat, defensor das normas académicas e contrário aos impressionistas, não gostava dos desenhos do seu aluno. Em 1883, Toulouse-Lautrec passou para o estúdio de Fernand Cormon, onde conheceu Van Gogh e Émile Bernard. Apesar do apoio do novo mestre, sentia a estética académica como algo cada vez mais restritivo.

Montou seu próprio estúdio e passou a frequentar o bairro boémio de Montmartre, em Paris, que tornaria célebre na sua obra. Ao contrário dos impressionistas, Toulouse-Lautrec tinha pouco interesse pelas paisagens e preferia os interiores. Pintou "Moulin Rouge", "Au salon de la rue des Moulins" e inúmeros retratos.

O seu estilo transgredia as proporções anatómicas e as leis da perspectiva em favor da expressividade. Os traços rápidos e as cores intensas sugeriam movimento. A simplificação do contorno e o uso de grandes áreas numa só cor caracterizam os seus cartazes, que estão entre as suas obras mais significativas.

A partir de 1892, Toulouse-Lautrec dedicou-se à litografia. Entre as mais de 300 que produziu, destaca-se a série "Elles", retratando a vida nos bordéis. Nessa época o artista já se tinha entregue ao alcoolismo. Em 1899, após um colapso nervoso, passou alguns meses num sanatório mas voltou a beber.

Henri de Toulouse-Lautrec morreu prematuramente, aos 36 anos, no castelo de Malromé em Gironde. Apesar da excepcional popularidade de seus cartazes publicitários e das numerosas litografias, o reconhecimento da importância estética de sua obra demorou a chegar.


Os Quadros


sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Ilha das Flores - Açores


Carinho de mar

Vim com meu sangue gelado
Das terras do lado norte,
Sentindo o peito cansado
Dos desafios da sorte.
Cheguei ao mar bem cedinho
Ainda a lua a espreitar,
E senti que o seu carinho
Vinha a saudade abrandar.
Sentei-me á beira da água
Respirando o cheiro a mar,
Expirei a minha mágoa
E fui co´as ondas dançar.
Não há como o mar salgado
para inspirar harmonia,
Com seu constante bailado
Perfumado de maresia.

Poesia de Fernanda Costa


Ilha das Flores - Açores - Portugal
Imagens de Fernanda Costa
Vídeo: Jorge C. Reis

Para a Fernanda aqui fica a minha homenagem e um prémio bem merecido pela qualidade dos seus blogues e divulgação do património português.

Viagem pelo mundo lusófono (8) - Portugal


quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Viagem pelo mundo lusófono (7) - Brasil


Meu caro amigo me perdoe, por favor
Se eu não lhe faço uma visita
Mas como agora apareceu um portador
Mando notícias nessa fita

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

Muita mutreta pra levar a situação
Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça
E a gente vai tomando e também sem a cachaça
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu não pretendo provocar
Nem atiçar suas saudades
Mas acontece que não posso me furtar
A lhe contar as novidades

É pirueta pra cavar o ganha-pão
Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro
E a gente vai fumando que, também, sem um cigarro
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu quis até telefonar
Mas a tarifa não tem graça
Eu ando aflito pra fazer você ficar
A par de tudo que se passa

Muita careta pra engolir a transação
E a gente tá engolindo cada sapo no caminho
E a gente vai se amando que, também, sem um carinho
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu bem queria lhe escrever
Mas o correio andou arisco
Se me permitem, vou tentar lhe remeter
Notícias frescas nesse disco

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

A todo o pessoal
Adeus

(Chico Buarque / Francis Hime)


Fogo no céu (2)



Noite de Fim de Ano - Portimão - Algarve - Portugal

Fogo no céu



Portimão - Algarve - Portugal